12 de agosto de 2016

Arquivo Morto



Guardado neste galpão de sonhos
Encontra-se um ébrio maldito
Proveniente de um caminho torto
Escondido em caixas que se empilham de vida
Marcadas por arquivo morto

Ah... Velho viajante
Porque deixas que o espelho te devore...
Se no pilar desta estante
Encontrarás mais almas que te apavore...
Enquanto procuras um tormento que cure o seu porre...

Não olhe para trás
Finjas que faz
Caminha adiante
Mesmo cego titubeante
Procures um lar rico e fascinante

Não te desonres em teus medos
E num castelo de segredos
Devolve tuas sombras
Afogue suas mágoas
Ressoadas nesta morada através de suas tábuas

Jazendo em teu jocoso ser
Vejo seu desfalecer
Retraído pelo seu próprio espírito
Vendo fumaça em sua volta
Fazendo seu sonho apodrecer...


Areia



Como pó esvaindo de minhas mãos
Derramo meu tempo
Deixando ir embora uma boa dose
Do meu pensamento

Acho que não sei mais onde estou
E se me encontrares por ai
Me avise
Que caminho minha vida tomou

Estou sem um mapa
Sem uma rota
Estou como flores
Que em meio as pedras brotam

Vejo apenas um penhasco a minha frente
Estou louco para atirar-me
E ver o fundo desta alma dormente
Me encontre e das trevas venha livrar-me


Andromeda



Quero sua fuga de meus pensamentos
Fechei a porta pra você
Mas ainda ouço você bater dentro do meu coração
Sinto seu cheiro na noite
Até o clarão do dia
Pelas vias desabando até minha respiração

Sinto seu toque, seu desejo
E desejo seu beijo
Olhando as luzes de seu olhar na escuridão
Sinto a madrugada fria
E conto os segredos
Que estão aprisionados nesta sensação

Sinto que estou louco me arrastando pelo chão
Perco a lucidez, a sobriedade, a timidez
Destroço seu retrato na parede
E tento assim apagar a sede que sinto em meu ser
Estou com o corpo cansado, o sono não chega
A energia que me falta ... esta em você

E ligo e desligo a tv
E  o programa é o mesmo... você
Tento entender até que ponto vou chegar
Porque não posso mais te alcançar
Não quero mais te alcançar
Viro minhas costas para as imagens
E só por esta estrada infinita, vazia, caminho querendo te enxergar

Estou deixando o tempo escorrer pelos dedos
Não sinto medo nem desolação
As vazias luzes das estrelas
Não iluminam mais minha constelação
Agora no pó reencarno minhas dúvidas
Que parecem dividas ... perdidas ... na imensidão...